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O perigo de aprender sem ouvir o som, fixando a pronúncia errada — inglês e chinês começam no "negativo"
Continuar estudando um idioma só pela escrita, sem nunca ouvir o som e carregando uma pronúncia errada, não é apenas ineficiente. É um desperdício brutal de tempo e, pior, um ato que vai acumulando "negativos". E o mais assustador é que centenas de horas evaporam sem que a pessoa perceba nada. Vale para o inglês e para o chinês — e no chinês, com seus tons, o problema fica ainda mais grave.
Por que é um "negativo" — a prática não gera "progresso", gera "fixação"
O que a prática constrói não é "progresso", e sim "fixação". Se você repete certo, o certo se fixa; se repete errado, é o erro que se fixa. Não há exceção. Se o som que toca na sua cabeça está errado, aquilo que você repetiu dezenas de vezes não foi o idioma, foi "o seu som errado". E ainda vem acompanhado daquela sensação de "estudei direitinho". Na linguística isso se chama fossilização (fossilization), e um erro gravado fundo é surpreendentemente difícil de tirar. Por isso, aprender errado às vezes é até pior do que não aprender.
Cena 1: estudar de livro aberto, sem ouvir o som
É a cena de estudo mais comum de todas. Sem tocar em nenhum áudio, você lê com os olhos (ou em voz alta). Dá muito a sensação de estar estudando. Mas, como você não ouviu o som, cada palavra que você lê vira um som que você mesmo chutou para algo que "está vendo pela primeira vez". O cérebro não deixa o vazio em branco: ele preenche com os sons que tem à mão, os sons da língua materna. É aí que "the" vira "de" ou "fe", "think" vira "tinki", e "facebook" ganha um "i" no fim virando "facebooki". E, mesmo lendo em silêncio, a gente faz o som soar dentro da cabeça — então até o tempo em que você não fala nada segue, caladamente, sobrescrevendo o certo com o errado.
Se você continuar assim: cada palavra nova que leu hoje entra na memória, sem exceção, com o "som chutado". Enquanto você não usar um método que faz o som passar primeiro, essa "produção antecipada de erros" vai se empilhando todo dia, em silêncio. O que você economiza são alguns segundos; o que você perde é centenas de vezes esse tempo.
Cena 2: aprender com um professor não nativo, na pronúncia "aportuguesada"
Muita gente aprende com professores que não são nativos. Não é para culpar o professor — ele aprendeu exatamente da mesma forma. O problema está na estrutura. Assim, o que você recebe não é o som nativo em si, e sim "a aproximação de uma aproximação". O desvio se acumula de geração em geração. Se você aprende com um professor que fala "estress" em vez de "stress", ou que troca o acento tônico de "hotel" e "computer", você vai carregar esse mesmo ritmo a vida toda. No chinês, se você aprende com um professor que faz os quatro tons (四声) de forma imprecisa, seus tons ficam imprecisos para sempre.
O que você perde aqui: enquanto você continuar passando por sons aproximados, os anos vão passando sem você tocar uma única vez no "original" do nativo. Se você nunca chega ao som original, a precisão da cópia da cópia vira o teto da sua pronúncia. Você está, sem perceber, colocando um limite em cima do seu próprio potencial.
Cena 3: listas de palavras e frases que nem sequer trazem transcrição fonética
Essa talvez seja a mais cruel. Milhares de palavras e nenhuma transcrição fonética, nenhum áudio. Exigem que você "leia" palavras que você nunca ouviu e para as quais não te dão nem uma pista de como chutar certo. O resultado é só um: você lê tudo com os sons da língua materna. E para cada palavra do livro, se fabrica em série um fóssil de som errado. Ainda por cima com aquela sensação péssima de "terminei o livro inteiro".
O total perdido: quanto mais você "termina" um livro sem som e sem transcrição, mais estoque de sons errados você acumula. Se o material não vier, desde o início, com leitura + áudio nativo, o número de páginas vira exatamente o número de dívidas que você terá de quitar depois. Quanto mais grosso o livro, maior o prejuízo, na verdade.
O mais assustador é quando até a "compreensão auditiva" quebra junto
O erro de pronúncia não é um problema só da boca. Isso porque a pronúncia e a compreensão auditiva compartilham a mesma "imagem de som". Quando você guarda uma palavra com o "seu som errado", o rótulo que o cérebro cola nessa palavra passa a ser esse som errado. Então, no momento em que o nativo diz a palavra com o som certo, o cérebro processa como "não conheço essa palavra". Uma palavra que você deveria conhecer, e você não consegue entender. Você fala e não te entendem, e ouve o som certo e não entende — um prejuízo em dobro.
Passar anos sem conseguir ouvir nem falar não é falta de talento, é falta de "repetição de som"
Estudar por anos e não conseguir entender nem soltar a fala — é uma queixa extremamente comum, mas não tem nada a ver com ser mais inteligente ou menos. A causa é clara: quase todos esses anos foram gastos com os "olhos" e quase nada com os "ouvidos". Faltou, de forma decisiva, o tempo de ouvir o som certo e reproduzi-lo com a boca. Por isso, anos de tempo não se converteram em compreensão auditiva nem em fala. O que você precisa não é de "mais tempo sentado na mesa", e sim de mudar "no que" você usa o mesmo tempo: ouvir o som certo e dizê-lo em voz alta. No instante em que você concentra o tempo nesse único ponto, o ouvido e a boca que estavam parados começam a se mexer.
Dá para fazer "em paralelo" — caminhando, no trajeto, na academia
"Eu não tenho esse tempo" — na verdade, esse tempo que você acha que "não tem" é justamente o que você mais joga fora todos os dias. Com som puro + repetição infinita, você não precisa de mesa, de caneta e nem mesmo dos olhos. Um toque e a mesma frase toca sem parar. Caminhando. No ônibus ou no metrô a caminho do trabalho ou da faculdade. Treinando na academia. Justamente quando as mãos e os olhos estão ocupados, o ouvido e a boca estão livres. O maior motivo pelo qual as pessoas não evoluem — "o tempo total de exposição ao som é insuficiente" — dá para resolver sem mudar nada na sua rotina.
O tempo que some todo dia se você não usa: a cada dia que você não direciona esse "tempo em paralelo" para o ouvido, aquelas dezenas de minutos de compreensão auditiva e fala, que viriam de graça, evaporam do seu dia como estavam. O preço não é "não fazer nada", é "perder um pouco todo dia".
1 frase × dezenas de vezes entra "de uma vez" — no fim, é o caminho mais curto
O jeito é surpreendentemente simples. Pegue uma frase, ouça dezenas de vezes seguidas e, a cada vez, cantarole baixinho junto. Só isso. Em vez de lamber de leve palavras soltas uma vez cada, concentre a repetição em um único bloco. Aí som, ritmo e sentido viram uma coisa só e se fixam ali, "de uma vez". Parece rodeio, mas esse é o caminho mais curto em tempo. Pronúncia e compreensão auditiva não são conhecimento, são habilidade de movimento + percepção, e habilidade só se solidifica com "repetição concentrada em uma unidade correta". Dez minutos de repetição concentrada mexem com a boca e o ouvido com muito mais certeza do que uma hora de leitura silenciosa. E, como você faz com o som certo desde o começo, o trabalho de tirar o erro depois (= aquele tempo negativo) é zero.
O jeito de corrigir é simples — "o som primeiro, a letra depois (ou junto)"
A solução é simples a ponto de decepcionar. Coloque o som certo primeiro, pelo ouvido. Em cima disso, imite e diga em voz alta, e use a escrita apenas como pista. A ordem é sempre "ouvir → imitar → repetir até fixar". Ler vem só depois. Se você coloca o som certo primeiro, as milhares de repetições seguintes viram, todas, poupança na "direção certa". Você economiza os primeiros segundos e perde centenas de vezes isso — o seguro mais barato é sempre aquele que você contrata primeiro.